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segunda-feira, agosto 21, 2017

A IGREJA DO JEITO QUE O DIABO GOSTA - Parte 2



A IGREJA DO JEITO QUE O DIABO GOSTA - Parte 2

 


Há dois tipos de pessoas que são usadas para difusão do erro na Igreja.

Primeiro há o tipo sincero. São pessoas absolutamente sinceras, mas que vieram a cair vítimas do erro dentro da própria Igreja.
Em segundo lugar estão aqueles que têm a mente cauterizada, que sabem que estão dizendo mentiras, mas não se importam, e que têm fins lucrativos. Paulo disse que estes pensam que a piedade é fonte de lucro, homens apóstatas dentro da Igreja e que sabem que estão proferindo mentiras.
Com pouquíssimas variações, normalmente no primeiro tipo estão os seguidores; aqueles que lotam igrejas heréticas pensando estarem de fato realizando a vontade de Deus. E no segundo tipo estão os líderes dessas igrejas, os quais são detentores de técnicas habilidosas de dominação mental e manipulação do público. Estes não só estão bem preparados para enganar, como jamais param de investir na obtenção de novos conhecimentos que os mantenham nessa posição de dominação dos fiéis.

Nós vemos que no V. T. os falsos profetas e profetisas surgidos de dentro do povo de Deus, foram usados pelo diabo para tentar destruir o povo de Deus. Jeremias se levantou contra os falsos profetas que diziam falar da parte de Deus quando profetizavam paz para o povo. Jeremias sozinho dizia que não havia paz, nenhuma paz, mas que Deus estava irado com o povo. Os falsos profetas levavam o povo cada vez mais para baixo da ira santa de Deus. Balaão foi um exemplo disso. A história da Igreja nos revela homens com a mente cauterizada, com fins e propósitos de lucro pessoal, sem se importarem com a verdade, com Deus e a Igreja. Eles querem popularidade, querem ter o seu lucro. Jesus nos alertou contra esse tipo de gente em Mateus 24:24: "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos". Jesus antecipou que isso aconteceria na Igreja.

Hoje, se perguntarmos às pessoas onde isso está acontecendo nas igrejas históricas, receberemos a resposta de que nada disso está acontecendo. Elas não veem nada de errado e que tudo está bem. Sabem apontar para outros ambientes e não percebem o mal debaixo do próprio nariz. Mas a verdade é bem diferente. Penso que, quando Jesus disse que haveria falsos mestres e falsos profetas fazendo sinais e prodígios que, se possível, enganaria os próprios eleitos, ele não estava querendo brincar com nossos sentimentos, mas estava querendo dar-nos um alerta genuíno e verdadeiro e que esse tipo de coisa deveria acontecer na história da Igreja. Às vezes a palavra de Jesus não tem sido levada tão a sério como deveria. Em atos 20:29-30, o apóstolo Paulo exorta aos presbíteros da Igreja de Éfeso a se cuidarem dos falsos ensinos que certamente haveriam de entrar na igreja. Ele diz: "Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles". Eles têm um propósito: arrastar os discípulos atrás de si. Querem formar seguidores, arrastar os discípulos falando coisas pervertidas e enriquecerem através disso.

As cartas de Paulo e as dos demais apóstolos foram escritas exatamente para combater o erro religioso do primeiro século. Se não houvesse preocupação, nós não teríamos as cartas pastorais. Muitas vezes estamos esquecidos disto e que os apóstolos, quando sentaram para escrever, se dirigiam a problemas específicos das igrejas e na maioria dos casos a questão era o erro religioso. Na maioria das vezes estavam preocupados com mentiras que surgiam. A carta aos colossenses, por exemplo, foi escrita pelo apóstolo Paulo para combater a entrada do gnosticismo naquela região de Colossos. Uma heresia que danificou a Igreja até o terceiro século. O apóstolo João escreve as suas três cartas com este mesmo propósito para combater o gnosticismo incipiente no primeiro século. Judas escreve a sua carta para exortar a Igreja a combater pela "fé que uma vez foi dada aos santos". A segunda carta de Pedro tem o mesmo propósito. Paulo, quando escreve a Epístola aos Gálatas, tem um objetivo que é mostrar à Igreja que, na hora em que ela deixa de crer na graça do Evangelho, ela deixa de ser Igreja. Paulo escreve aos Gálatas para combater o legalismo religioso. Hoje toleramos práticas legalistas dentro da Igreja, mas Paulo achou tão importante a sã doutrina que ele escreve aos Gálatas com esse propósito. O mesmo acontece com II Coríntios, que tem este mesmo propósito, pois havia falsos apóstolos na igreja de Corinto que ensinavam doutrinas estranhas. Vejam a preocupação dos apóstolos com a sã doutrina, sabendo que o diabo pode corromper a mente dos crentes e afastá-los da simplicidade do Evangelho (II Coríntios).

O diabo sempre usa pessoas que estiveram ativas. Em cada geração a Igreja tem enfrentado falsos profetas e falsos ensinos. Foi o que aconteceu com o Unitarianismo, o liberalismo teológico, o modernismo, o evangelho social, o evangelho da palavra positiva e da prosperidade etc., para não dizer das heresias que a igreja enfrenta desde o período patrístico. Este tem sido sempre o embate da Igreja.

Qual a maneira como o diabo age na vida das pessoas, qual sua tática sutil nessa área?

Primeiro -  Ele faz com que o erro venha disfarçado de verdade. Normalmente as grandes heresias nascem como novas visões ou modernas revelações para os novos tempos da igreja.

Segundo

a. O diabo torce a verdade de Deus como fez lá no Jardim do Éden (Gn 3:1-6). Nós vemos como ele distorceu a Palavra de Deus para levar a mulher a se desviar do mandamento de Deus. Esta é a característica de todo falso mestre. Têm sempre uma interpretação distorcida da Escritura.

b. O diabo se manifesta como anjo de luz. Paulo nos diz em II Co 11:13-15 exatamente dessa transfiguração de anjo de trevas em anjo de luz. No nascimento de cada seita sempre existe uma revelação. Cada um dos fundadores de seitas, hoje, reivindica que teve uma revelação de Deus.

Que faremos com tudo isso? Como devemos lidar com estas coisas?

Até mesmo operações de curas, de milagres e de prodígios são efetuadas por estes demônios com o fim de atribuir autoridade à mentira, para lhe dar credibilidade. Da mesma forma vemos isso hoje. Muitos, para provar seu ensino, fazem sinais e maravilhas. Assim o espiritismo e o esoterismo têm conquistado muitos adeptos. Nesses ambientes heréticos lida-se sempre com coisas sobrenaturais e isso é como prova da verdade, e de fato coisas extraordinárias acontecem. Concluímos que há demônios operadores de sinais, capazes de produzir inúmeros tipos de fenômenos. Lemos em II Ts 2:9: "Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira". Esses sinais e prodígios da mentira são chamados assim, não porque eles não sejam verdadeiros, pois de fato são, mas porque têm o propósito de levar as pessoas a crerem na mentira. O alvo é induzir as pessoas a crerem no erro que está por trás, no erro que está junto a estas manifestações. "...com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (v. 10).

Não percamos de vista que há uma batalha dos espíritos malignos contra a Igreja e devemos ficar alertas contra as armas do diabo. Uma destas armas é fazer pessoas bem-intencionadas perderem o equilíbrio teológico, levando-as a tomarem certos pontos secundários e façam deles aspectos centrais, produzindo um desequilíbrio. Como exemplo temos a expulsão de demônios, curas, que são verdades que Deus pode fazer, mas que também podem ser simuladas pelo diabo, que as tira do seu devido lugar, que é um lugar secundário no N. T., e as traz como ponto central de vários movimentos, produzindo um desequilíbrio e um modelo de fé fundamentado apenas do experimentalismo. Poucos dizem isso e geralmente as pessoas vão pelo que está na frente, concentrando-se naquilo e esquecendo o resto. Ou até mesmo, e, digo isso com muito temor, é possível tomar coisas boas e legítimas como os dons do Espírito Santo e trazê-los como o centro de determinado movimento, ao ponto de que as doutrinas centrais, como a pessoa e obra de Cristo, Sua redenção, Sua glória, Seus atributos, Sua obra de salvação no mundo, sejam ignorados ou recebam uma atenção mínima, produzindo igrejas desequilibradas teologicamente e produzindo crentes histéricos e esquizofrênicos que vivem em torno disso. Isso é erro religioso da mesma forma, pois existe um desequilíbrio onde a verdade não é apresentada em todas as suas formas harmônicas. Creio que o diabo usa até mesmo pessoas absolutamente sinceras para trazer desequilíbrio e confusão para dentro da Igreja. Nós precisamos de discernimento.

Uma palavra final

O que tudo isso tem a ver conosco? Que devemos fazer? O erro religioso é tremendamente perigoso, mesmo que líderes achem que não há nenhum perigo. A evidência da Bíblia nos mostra o contrário, diz-nos que o erro religioso, o ensino desequilibrado é prejudicial para as almas da Igreja pois afasta o povo da verdade, corrompe a fé e as consciências. A verdade doutrinária deve ser buscada, perseguida, zelada pelo povo de Deus e defendida com as armas legítimas. O erro religioso conduz à prática religiosa errada e desequilibrada. Se você acredita no erro, sua prática será errada e no final vai oprimi-lo, atormentar, afligir e por fim conduzir à destruição espiritual. Só a verdade liberta, só ela traz paz verdadeira e crescimento. O Espírito Santo não abençoa o erro. O Espírito Santo é chamado na Bíblia de o Espírito da Verdade. Por isso só abençoará a verdade. Como resistir à queda no erro? Não há um caminho fácil e digo isso com temor. Com todo respeito aos irmãos que estão bem-intencionados e desejam declarar que o erro religioso está banido, declarar que os espíritos enganadores, de mentira e de heresias sejam amarrados. Àqueles que dizem amarrar o diabo eu digo que não há substituto para se tomar a armadura de Deus especialmente o cinto da verdade. Você pode "amarrar" quantos demônios queira, mas se você não estiver amarrado à verdade e comprometido com ela, para nada vão adiantar suas palavras supostamente poderosas.

A Igreja só tem uma defesa contra o erro religioso. É tomar toda a armadura de Deus, vestir-se da verdade, tomar a couraça da justiça, que vem da parte de Deus. Empunhar a Palavra, que é a espada do Espírito. Não há outras armas. Isso significa estudo profundo da Palavra, meditação nela. Que a Igreja tome uma posição contra o erro religioso e resista a esta tendência moderna mundana, humanista, materialista e atolada no lodaçal da vaidade. A Igreja tem de zelar pela sã doutrina e cada crente faz parte desta luta. Exija do seu pastor que pregue sermões firmes fundamentados na Escritura, que o pastor exija do seu presbitério, do seu professor, que seja criterioso nas suas leituras escolhendo bons livros, que participe de bons congressos e não dos tantos movimentos neopentecostais caça-níqueis, travestidos de reuniões de fogo e poder. Exija critério, trabalho e sacrifício. Não há outro caminho. É isso que diz a Escritura: tomar a couraça da justiça e o cinto da verdade para poder resistir às astutas ciladas do diabo.

Só existe uma maneira de não se cair vítima de uma mentira e ser enganado por ela. É você se voltar para o estudo da Escritura, debaixo da orientação de alguém que conheça a Palavra, que tenha o propósito de iluminá-lo, de ajudá-lo. Minha súplica a você: hoje comece um estudo sério da Escritura, leia a Bíblia com atenção, com devoção, com oração e consagração. Somente uma igreja repleta de cristãos que manejam bem a palavra da verdade será uma igreja capaz de incomodar os infernos. Bem diferente das igrejas apóstatas, dos paletós voadores, dos crentes tresloucados, do barulho sem conteúdo, que prega prosperidade e não humildade, que prega o suposto poder das palavras humanas ao invés da obediência à vontade, que fecham suas escolas bíblicas e criam suas células de heresias domésticas, que estão efeminando os púlpitos por covardia antes as pressões sociais. É a partir dessa reflexão que se separa o trigo do joio e se difere a Igreja de Cristo daquela que o diabo gosta!


Postado por Pr. Reinaldo Ribeiro às 20:23




Fonte: 


quinta-feira, agosto 17, 2017

ABIGAIL, UMA MULHER ATENTA À CONSCIÊNCIA DE UM SERVO DE DEUS


ABIGAIL, UMA MULHER ATENTA À CONSCIÊNCIA DE UM SERVO DE DEUS

"A beleza íntima duma mulher está quase sempre dependente da sua relação com Deus." Eugenia Price


I Samuel 25:23-42

 Resultado de imagem para imagem de Abigail, mulher de Nabal

As suas mãos moviam-se rapidamente.
Os seus pensamentos corriam ainda mais.

Embora reconhecesse que a situação era séria, Abigail não caiu em pânico, nem ficou nervosa. Fez os seus planos com calma. Não se esqueceu de que dispunha de pouco tempo, e de que não podia perder um segundo.

As palavras do criado, proferidas alguns momentos antes, ressoavam ainda nos seus ouvidos: 

"Veja bem, senhora, o que tem a fazer", dissera ele, "pois vai haver grandes problemas para o nosso patrão, para todos nós. Vim ter consigo, porque o patrão é rude e teimoso e não se pode mesmo falar com ele" (1 Sam. 25:17).

Como a situação era extremamente delicada e não se podia cometer o mínimo erro, Abigail estava a tratar de tudo sozinha. Não ousava entregar tais responsabilidades aos criados.

Tinha de pensar rapidamente e com acerto. De que é que precisariam 600 homens vorazes e que viviam no campo agreste, para acalmarem a fome? Assim, ela juntou bastantes provisões, havendo reunido alimento suficiente para satisfazer todos aqueles homens.
Abigail não pensou apenas nas coisas essenciais, como pão e carne. Cozeu também umas medidas de trigo tostado, 200 cachos de uvas, deliciosos bolos de figos e dois odres de vinho (v. 18). Queria cuidar bem dos homens e pretendia levá-los a ficarem bem-dispostos.

Num mínimo de tempo, tudo se arranjou com eficiência. "Ide à minha frente" – ordenou ela aos criados. "Eu seguirei atrás de vós" (v. 19). Sob o ponto de vista psicológico era uma viagem tática. Os servos de Abigail podiam começar o seu trabalho antes de ela chegar.

Abigail não disse nada ao marido, Nabal, a respeito dos seus planos, sabendo que as suas palavras não poderiam penetrar através da sua embriaguez.

Nabal tinha organizado uma grande festa para celebrar a tosquia anual do rebanho. Era um homem rico, que possuía 3000 ovelhas e 1000 cabras. A tosquia do rebanho era importante, pois a lã constituía um artigo vital na cultura de Canaã.

Depois de todo o trabalho haver terminado, Nabal ofereceu aos tosquiadores (peritos que eram especialmente contratados para esse fim) uma refeição. E o mais barulhento de todos à mesa era o próprio Nabal.

O marido de Abigail era descendente de um homem importante, de Calebe (1 Sam. 25:3). Mas não se parecia absolutamente nada com esse ilustre antepassado que tinha manifestado um maravilhoso temor de Deus, visão e coragem. Nabal, cujo nome significava "o tolo" era exatamente isso – um homem rude e grosseiro que não revelava senso algum nas suas palavras.

Foi isso o que Davi experimentou quando, por meio dos seus mensageiros, pediu comida a Nabal para si próprio e para os seus 600 homens. Tratava-se de um pedido normal, pois Davi e os seus guerreiros tinham formado um muro de proteção em torno dos tosquiadores do rebanho de Nabal, para impedir que ladrões e nômades vadios os perturbassem durante o trabalho. Qualquer xeque árabe – mesmo hoje podia ter pedido igual tratamento, sem lhe ser recusado.

Davi fez modestamente o seu pedido. Tinha-se aproximado de Nabal com uma atitude submissa e falou-lhe como um filho faria ao pai. Apesar dessa prudente abordagem, a reação de Nabal foi grosseira e insultuosa. "Quem é esse tal Davi?" – Perguntou desdenhosamente. "Quem é que esse filho de Jessé pensa ser? Há muitos servos hoje que fogem dos donos. Iria eu pegar no meu pão e na minha água e na carne dos animais que degolei para os tosquiadores e dá-la a um bando que de repente aparece vindo não sei donde?" (Vv. 10-11)

Esta resposta foi extremamente ofensiva para Davi, que gozava de grande popularidade em todo o país. As mulheres de todas as cidades de Israel tinham andado a cantar as suas vitórias (1 Sam. 18:6-7), e ele já havia sido ungido para ser o próximo rei. Mesmo os servos de Nabal o louvavam pela ajuda e pela maneira disciplinada dos seus homens 1 Sam. 25:15-16). Ele havia dado provas de uma liderança prudente e forte, mantendo os seus soldados – que dispunham de poucos meios de subsistência – organizados e obedientes às suas ordens.

Não obstante estes fatores, Nabal tratou Davi como uma pessoa sem importância, um rebelde, cujos pedidos não precisava de levar em séria consideração.

Davi reagiu a este tratamento indigno com uma explosão de ira. Pouco tempo antes, havia-se recusado a vingar-se de Saul que tentara matá-lo, e tinha deixado que fosse Deus a julgar a sua causa (1 Sam. 24:4-7). Durante aquela luta com o gigante Golias, que proferia insultos e maldições, ele havia pensado apenas no nome de Deus (1 Sam. 17:45-47). O homem que mais tarde seria conhecido na história como "o homem segundo o coração de Deus" (Atos 13:22) não pôde ignorar este insulto pessoal. Quis vingar-se imediatamente.

"Cingi, todos vós, as espadas", ordenou ele. "Nenhum homem da casa de Nabal escapará com vida. Amanhã de manhã teremos acabado com todos eles" (1 Sam. 25:13,22). Para se vingar da ofensa de Nabal, Davi seguiu para a casa dele com 400 homens.

Entretanto, Abigail montou num burro e dirigiu-se ao encontro de Davi. Sendo uma mulher suficientemente humilde para dar ouvidos ao conselho de um criado, ela revelou ao mesmo tempo bastante força moral e coragem para enfrentar a ira de Davi. Possuía um espírito brilhante e era atraente, inteligente e sábia. Embora o significado do seu nome fosse "o meu Pai (Deus) dá alegria", ele não refletia as circunstâncias que ela estava a atravessar, presa como se sentia por causa do casamento com Nabal. Só vagamente se pode imaginar o que poderia significar a vida com um tal insensato para uma mulher tão crente e sensível.
Certamente que não era esta a primeira vez em que Abigail tentara reunir as peças quebradas pelo marido. Quando ela se encontrou com Davi, as suas palavras provaram isso. "Foi tudo por minha culpa, senhor", disse ela, "eu não vi os mensageiros que enviou" (v. 25). Por outras palavras, tentava dizer: "Se eu os tivesse visto, tentaria usar a minha influência para evitar este problema".

A atitude de Abigail revelou-se ao mesmo tempo prudente e impressiva. Embora ela chamasse tolo temperamental ao marido, identificava-se com ele no reconhecimento da ofensa. Na sua atitude e nos atos que dela resultavam, seguiu o mesmo princípio que outros grandes homens de Deus iriam seguir. Por exemplo, Neemias (1:4-11) e Daniel (9:3-19) iriam mais tarde identificar-se com a culpa do povo judeu que desobedeceu a Deus. Abigail não pediu perdão para Nabal; pediu-o simplesmente para si própria.

A atitude desta mulher, bem como as suas palavras, impressionou Davi. Logo que os dois grupos se encontraram no caminho e Abigail viu Davi, desmontou-se imediatamente e inclinou-se profundamente diante dele, com respeito. O futuro rei de Israel e servo de Deus, que tinha sido maltratado pelo marido como se se tratasse de uma pessoa indigna, recebia agora honras dela. Os homens com quem Nabal não quisera gastar a sua água, tinham agora vinho que lhes era oferecido pela esposa.


Salomão disse mais tarde que um presente alarga o caminho a uma pessoa e leva-a à presença dos grandes (Prov. 18:16). Abigail experimentou essa lição. Os presentes que enviara à sua frente tinham suavizado o coração de Davi e esfriado a sua fúria. A sua chegada e palavras podiam então fazer o resto.

O que ela continuou a dizer mostrou tal sabedoria e discernimento, que se podem descrever melhor com o que Tiago chamou mais tarde, no Novo Testamento, "sabedoria do alto". Tal sabedoria é "primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia" (Tg. 3:17).

O que mais impressiona em Abigail é o fato de ela não exibir uma frente falsa. Manifestou-se como realmente era. As circunstâncias não lhe tinham dado tempo para refletir madura e antecipadamente sobre a situação. Não tinha havido tempo para reunir força e coragem, ou sabedoria. Não tinha havido tempo para bravata intelectual ou espiritual. Não podia pretender ser diferente do que realmente era, pois, as tempestades da vida arrastam qualquer capa que não faz parte integrante da própria pessoa. As suas reações imediatas tornam-se então o traje com que é vista.

Foi essa a atitude de Abigail para com o Deus santo. O seu coração tremia diante dEle. Amava-O acima de tudo, estava convencida de que acima de tudo o mais, o ser humano tinha de O honrar. Tinha a certeza de que ninguém poderia tentar iludi-lo. Ele não podia ser enganado, e as conseqüências de tal tentativa seriam deploráveis.

Deus tinha abençoado ricamente Davi. De repente, quando ela o enfrentou, Abigail viu que as bênçãos que Davi havia já experimentado seriam pequenas comparadas com o que o Senhor planeava ainda fazer pelo futuro rei.

Do seu profundo respeito por Deus, esta mulher colhera amor pelo Seu servo, por este seu semelhante. O seu amor era puro, sincero e espontâneo. Através da sua dependência de Deus, Abigail manteve também uma atitude correta em relação a si própria. Em vez de pensar unicamente em si, era modesta e evitava a autocomiseração.

Embora usasse todo o tato para salvar a vida de Nabal e dos seus homens, parecia ser levada por uma motivação mais profunda. Estava a pensar naqueles que nesta situação estavam ameaçados pelo desejo de vingança. Numa fúria cega, Davi e os seus homens estavam prestes a cometer um pecado que iriam lamentar para sempre. O crime que estava quase a ser perpetrado seria irreparável. Um pesado fardo sobrecarregaria a sua consciência pelo resto da vida. A mancha de sangue, tanto dos inocentes como dos culpados, ficaria nas suas mãos.

Abigail recordou a Davi o favor de Deus que ele desfrutava, a proteção toda especial de que estava sendo alvo. Chamou a sua atenção para o futuro privilegiado que o esperava sob a mão bendita de Deus como futuro rei de Israel. O nome de Davi estava ligado ao nome de Deus. Rejeitando Davi, Nabal tinha desonrado o nome do Senhor, mas o futuro rei estava também a ponto de lançar uma mancha indelével sobre esse nome. Num ímpeto de sede de sangue, estava disposto a tomar nas suas mãos os seus próprios direitos e a matar pessoas inocentes.

Abigail estava convencida de que Deus castigaria Nabal por causa da sua impertinência para com o Seu ungido. Mas estava igualmente certa de que Deus não precisava de Davi para executar essa punição. Não repreendeu Davi. Pintou simplesmente as conseqüências da sua precipitada decisão, começando o seu apelo com estas palavras: "Vive o Senhor" (1 Sam. 25:26). Apresentou-o corri uma eloquência tão natural, que o poeta Davi teve dificuldade em não se deixar fascinar pelo seu estilo.

Na sua carta aos Coríntios, Paulo escreveu que todo cristão devia buscar o bem do seu próximo (1 Cor. 10:14-24) e devia evitar o fender a qualquer pessoa (1 Cor. 10:32).

Abigail tinha a sua vida centralizada em Deus. Colocava-O em primeiro lugar nos seus pensamentos e tomava-O como exemplo em tudo o que dizia. Não pensava apenas na vida do marido e dos seus trabalhadores; estava preocupada com a reputação de Davi. Reputação de Davi. Via as coisas à luz dos planos de futuro que Deus tinha traçado para ele. Portanto, o seu apelo baseava-se no que era melhor para Davi e não nos interesses dela. A sua força motivadora era o amor por Davi como seu semelhante.

O que Abigail desejava aconteceu. A consciência de Davi acordou. O seu apelo, baseado no caráter de Deus e no Seu soberano poder, deixou-o desarmado. "Bendito o Senhor Deus de Israel que te enviou ao meu encontro, hoje!" – Exclamou Davi. "Graças a Deus pelo teu bom senso! Bendita sejas por me teres impedido de matar os homens e exercer vingança por minhas próprias mãos. Pois eu juro pelo Senhor, o Deus de Israel que me guardou de te ferir, que se tu não tivesses vindo ao meu encontro, nenhum homem da casa de Nabal estaria ainda vivo amanhã de manhã" (1 Sm. 25:32-34).

Com estas palavras, Davi agradeceu à mulher que tinha estado atenta à sua consciência e o guardou do pecado e do remorso. Por causa da sua abordagem direta e espiritual do problema, ele descobriu quão nublada era a sua própria visão, quão egocêntrico tinha sido por causa do seu envolvimento pessoal. Davi restabeleceu então uma visão adequada de Deus, que através desta mulher o havia impedido de cometer um erro terrível.
Abigail, que reconhecia plenamente a extensão e o alcance que teria tido o plano de Davi, agiu, portanto, com sabedoria e discernimento. Não só impediu um homem de se tornar um assassino, mas salvou a reputação de um futuro rei. Davi, um homem tão altamente respeitado, que as gerações futuras iriam referir-se a Jesus Cristo como o "Filho de Davi", não se desrespeitou a si mesmo. Conseguiu dominar a sua ira, e por esse autocontrole conseguiu uma vitória maior do que se tivesse conquistado uma cidade (Prov. 16:32).

Todavia, o mais importante de tudo foi o fato de Davi não ter pecado contra o Senhor. Ele não deu tristeza a Deus. Os inimigos do Senhor não tiveram oportunidade de escarnecer do Seu santo nome. "Vai em paz para tua casa. Vê que eu ouvi as tuas palavras e atendi o teu pedido" (1 Sm. 25:35). Foram essas as palavras com que ele a despediu.

Abigail tinha visto corretamente a situação. As coisas transformaram-se na vida de Nabal. Quando ele ouviu da esposa, na manhã seguinte, o que tinha acontecido na véspera, a sua reação de fúria e medo resultou num ataque. Dez como dias mais tarde, morreu, experimentando no seu corpo a verdade de que ninguém pode escarnecer de Deus e permanecer impune.

Quando Davi ouviu a notícia de que Nabal tinha morrido, louvou e agradeceu a Deus por lhe ter dado o que merecia. Deus tinha-o guardado de resolver os problemas pelas suas próprias mãos. Davi demonstrou então a impressão inesquecível que Abigail lhe tinha causado. Imediatamente, sem perda de um minuto, pediu-lhe para se tornar sua esposa, e Abigail concordou " «Quando o Senhor te fizer grandes coisas, lembra-te de mim!" (V. 31), recebeu um cumprimento surpreendente. Ela sabia por experiência quanta solidão podia existir num casamento onde os cônjuges tinham pouco em comum; mas agora tornava-se a esposa de um homem com quem partilhava muitas coisas: coragem, fidelidade, um intelecto vivo e discernimento criterioso.

Todavia, a maior unidade de Davi e Abigail estava nas suas atitudes para com Deus, que possuía o primeiro lugar no coração dos dois. Abigail, altruísta, verificou como Deus podia usar todas as coisas para bem daqueles que O amam (Rom. 8:28). Inesperadamente havia-se transformado numa esposa do rei de Israel. Infelizmente, era apenas uma das oito esposas de Davi (2 Sm. 3:1-5, 13; 11:26-27). Seguindo o exemplo de outras cortes reais do seu tempo, Davi não se tinha restringido ao pacto de um casamento monógamo dado por Deus.

A atitude de Abigail para com Deus e o seu semelhante, e o seu raciocínio modesto, impediu um dos maiores homens da história de lançar o seu nome na lama.

Por meio do apurado discernimento de Abigail e da maneira como abordou uma situação difícil, Davi teve a oportunidade de continuar diante de Deus como estava, o homem segundo o seu coração. Pôde assim cumprir o propósito para o qual ele e todo o ser humano foi criado: honrar o nome do Senhor (Ap. 4:9-11; 5:11-14). Como futuro rei, teria perdido absolutamente essa oportunidade, se uma mulher não tivesse entrado na sua vida no momento próprio e vigiado a sua consciência, guardando-o assim de ofender a Deus.

Abigail, uma mulher atenta à consciência de um servo de Deus
(I Samuel 25:23-42)


Perguntas:

1. Enumere algumas das características mais importantes de Abigail.
2. O que o impressiona quando examina a sua atitude em relação a Nabal?
3. O que é que prova que Abigail possuía a "sabedoria do alto"? (Tiago 3:17).
4. Salomão tem muito a dizer sobre a maneira de nos tornarmos sábios (Provérbios 1:7; 2:1-6; 9:10). Quais são os passos necessários para adquirir sabedoria?
5. Quais são as possibilidades que temos hoje em dia de adquirir sabedoria de Deus e que faltavam a Abigail?
6. Qual é o princípio mais importante que aprendeu desta mulher? Como é que ele irá influenciar a sua vida?



Fonte: Livro Seu Nome é Mulher 2

Fonte: http://sermaoesbocos.blogspot.com.br/2013/12/abigailmulher-de-nabal.html


QUEM FOI A PROFETISA HULDA NA BÍBLIA?


QUEM FOI A PROFETISA HULDA NA BÍBLIA?




Hulda foi uma profetisa, mulher de Salum, filho de Ticvá e neto de Harás. Apesar de não ser tão conhecida entre os cristãos como Débora, Miriã e algumas outras mulheres citadas na Bíblia, Hulda teve uma importante participação em determina ocasião durante o reinado do rei Josias. Neste texto, conheceremos mais sobre quem foi Hulda.
A história da profetisa Hulda
A profetisa Hulda é mencionada em dois livros do Antigo Testamento que relatam o reinado do rei Josias, 2Reis 22:14 e 2 Crônicas 34:22. Como já dissemos, Hulda era esposa de Salum, um homem ilustre e de família nobre, responsável pela guarda das roupas, ou do Templo (manutenção das vestes sacerdotais) ou da corte de Josias (alfaiate das vestes reais). Não é possível determinar com exatidão qual das duas opções é a correta.
Nada se sabe sobre a biografia de Hulda além do que é mencionado muito brevemente nessas passagens. Somos informados ainda que ela morava na cidade baixa de Jerusalém. A localização exata desse lugar é incerta, porém é bem provável que seja o segundo quadrante de Jerusalém (cf. Sf 1:10; Ne 11:9), isto é, a segunda fileira de edifícios a partir do palácio real.
Entre os judeus há uma tradição de que Hulda profetizava entre as mulheres, as senhoras da corte, porém a Bíblia não menciona nada acerca disso. O que está certo é que Hulda foi contemporânea dos profetas Jeremias e Sofonias.
Alguns intérpretes sugerem a possibilidade do marido de Hulda, Salum, ter sido o tio de Jeremias. A Bíblia cita cerca de 12 a 15 pessoas com este nome no Antigo Testamento, sendo o tio do profeta Jeremias uma delas, entretanto é impossível determinar ao certo se realmente se tratava do marido de Hulda (cf. 32:7; 35:4; 52:24).
A profecia de Hulda
Hulda aparece na narrativa sendo consultada pelo sacerdote Hilquias, pelo escriba Safã, Aicão, Acbor e Asaías, homens a favor de Josias, que se preocupou após a leitura do Livro da Lei descoberto na Casa do Senhor.
Josias havia introduzido reformas religiosas, e estava empenhado na restauração do Templo. Josias de certa forma sabia da situação lastimável de idolatria que havia tomado o povo. Entretanto, o rei teve a real noção de quão grave era a situação quando ouviu a leitura do Livro da Lei encontrado no Templo.

Ao ouvir as palavras do Livro, Josias temeu a ira do Senhor, pois teve consciência do estado de desobediência em que o povo havia andado desde os seus antepassados (2Rs 22:11-23:3). O rei rasgou suas vestes e prontamente ordenou que o Senhor fosse consultado.
A ordem de consultar o Senhor, naquele contexto significava pedir um parecer profético sobre aquela situação. Josias decidiu consultar um profeta, pois sabia que a nação merecia ser acometida por maldições divinas, porém ele não sabia exatamente como essas maldições se aplicavam naquela situação especifica. Para que pudesse entender perfeitamente a situação, ele precisava de um oráculo profético.
É nesse contexto que Hulda é consultada. Perceba que tal como Débora, Hulda foi procurada por aqueles homens, na ocasião, enviados por Josias. Isso significa que, diferente dos homens ordenados por Deus como profetas diante do povo no Antigo Testamento, não há registro bíblico dessas mulheres profetizando publicamente perante a nação, isto é, reunindo o povo para dizer: “Assim diz o Senhor”. Essas mulheres proclamaram a mensagem divina em particular, de modo que as pessoas foram até elas.
Outro ponto que certamente merece destaque é o fato de Hulda ter sido a pessoa procurada, mesmo tendo grandes profetas como Jeremias e Sofonias vivendo em seu tempo. Alguns estudiosos sugerem que isso aconteceu provavelmente devido ao espaço que seu marido, e talvez até ela própria, tinha no palácio.
Isso pode até fazer sentido, porém nada supera a verdade de que, sobretudo, foi ela a pessoa escolhida por Deus soberanamente para proclamar a sua vontade naquela ocasião. A resposta do Senhor pela boca de Hulda (2Cr 34:23-28), basicamente se divide duas partes.
Na primeira parte há duas sentenças. A primeira sentença consiste no aviso de que Deus traria o mal sobre aquele lugar, e sobre os seus habitantes. O próprio cronista explica que o mal se refere as “maldições que estão escritas no livro que se leu perante o rei de Judá” (2Cr 34:24).
O texto prossegue mostrando as acusações contra aquele povo: “porque me deixaram, e queimaram incenso perante outros deuses, para me provocarem à ira com todas as obras das suas mãos”. Então, temos o registro da segunda sentença: “portanto o meu furor se derramou sobre este lugar, e não se apagará” (2Cr 34:25).
Apesar dessa predição terrível contra Jerusalém e Judá, a segunda parte da profecia oferece certo alívio ao rei Josias (2Cr 34:26-28). Trata-se de um oráculo de livramento, onde basicamente foi garantido a Josias que, devido ao seu arrependimento sincero e preocupação com a situação da nação perante os mandamentos do Senhor, ele não testemunharia o juízo sobre Judá e a destruição de Jerusalém durante os seus dias, ou seja, o juízo contra aquele povo não seria revertido, mas adiado para uma geração futura.
Assim que aqueles homens trouxeram as palavras do Senhor ditas por intermédio de Hulda, Josias determinou renovar a aliança com o Senhor (2Cr 34:29-33).
Quando estudamos sobre quem foi Hulda, certamente percebemos que ela foi uma mulher usada por Deus para desempenhar um importante papel diante daquela situação. Ela transmitiu não sua opinião própria, nem qualquer tipo de especulação, mas a mensagem do Senhor.



Fonte: https://estiloadoracao.com/quem-foi-profetiza-hulda-na-biblia/